quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Entrevista Antropólogo William Henry Crocker jornal Turma da Barra



por Álvaro Braga

            O historiador Álvaro Braga tomou café da manhã com o antropólogo William Crocker no hotel Vitória, no centro de Barra do Corda, ao lado do antropólogo Bill e do sertanista Júlio Tavares, na véspera do dia da solenidade de entrega de uma comenda de agradecimento feito pelas entidades culturais: Instituto Histórico e Geográfico de Barra do Corda, Casa da Cultura Galeno Brandes e Academia Barra-Cordense de Letras.
            Nessa solenidade, o anfitrião Eurico Arruda, que é presidente da ABL, lembrou que presenciou quando aquele antropólogo americano, ainda mal dominando o português, se hospedou no hotel de sua mãe, dona Petinha, e se instalou em um quarto com fraca iluminação, batendo máquina de escrever até tarde. Eurico, preocupado, levou até ele um candeeiro para melhor iluminar o seu trabalho.
            Dona Alda Brandes lembrou que ele alugava uma casa na rua do Giz, com quintal para o rio Corda e somente depois passou a se hospedar no hotel Vitória de dona Aguir (Águida Andrade) na rua Aarão Brito. Veja a entrevista:

TB- Podemos dizer que foi a última viagem de William Crocker aos índios Canelas e ao Maranhão?

William Crocker – Eu estou ficando velho (risos)... Mas é sempre bom exercitar um pouco. O nosso compromisso com o nosso chefe no Brasil, o antropólogo Júlio César Merlatti foi até 2011. Todavia não está descartada outras viagens apenas para visitas, o que poderá ocorrer em 2013. Muita coisa foi registrada e catalogada e agora precisamos publicar.

TB- O veterano índio Canela Francisquinho Tep-Hot, que se tornou uma referência mundial ao ser capa de um livro antropológico estrangeiro, costuma ir a Barra do Corda com todas as pinturas tribais e ornamentações, incluindo  círculos encaixados nas orelhas, e diz que índio de verdade tem que andar pintado e enfeitado. Perguntamos: As tradições indígenas dos Canelas passam de pai para filho?

William Crocker – Os mais jovens não sabem as cantigas, Conversamos muito com o índio Marcelino, que é o mais velho e ele nos contou muitas coisas. Ele tem uma memória muito boa e gravamos muito material. Os mais velhos tem que lembrar sempre as velhas cantigas para os mais novos aprenderem. O índio Raimundo Nonato está anotando todas as cantigas e nome das festas para passar aos mais novos. O índio Raimundo Roberto Kaapel-Tuc ensinou muitas coisas para eles. Abílio Ithomin também transmite muitos ensinamentos.

TB - Qual o balanço que o senhor faz do seu trabalho junto aos índios do Maranhão, em especial quanto aos índios Canelas, no período de 1957 a 2011?

William Crocker – O trabalho a que nos propomos fazer foi realizado. No início foi bem mais difícil, mas o nosso órgão promotor, o Smithsonian Institute, através de seus curadores, sempre nos estimulou a fazer outra viagem, depois outra. Isso em ciclos de dois em dois anos.

TB- Sobre o trabalho científico de campo, poderia nos dizer o que foi pesquisado?

William Crocker – Os resultados colhidos ao longo dos anos foram excelentes. Conseguimos pesquisar e catalogar junto aos Canelas as suas tradições, danças, máscaras, festas, cantigas, lendas, as corridas de toras. Em 2007 completamos os estudos sobre a festa dos Peixes. Em 2009 colhemos muitas imagens, especialmente a festa Pepkahawk e em 2011 as festas da Laranja e das Máscaras.

Nota da Redação: A entrevista, assim como o café da manhã, foram encerrados devido a um carro estar à espera do antropólogo para levá-lo a São Luís. Em 2013, Crocker retorna para uma nova visita aos índios Canelas. O TB aproveita para agradecer ao antropólogo Crocker pela atenção e ao imenso trabalho realizado junto aos Canelas.

Leia entrevista concedida por Crocker a UFMA: Clique aqui

(TB7ago2011)

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