quinta-feira, 6 de maio de 2010

Índios Canelas e a (a) política municipal



Quando isso nos foi repassado, de forma anônima e dentro dos parâmetros da liberdade de imprensa vigente em nosso país, lembramos do Massacre da Aldeia Chinella, no inicio da década de 1910 (no ano de 1913), quando mais de 50 índios Kenkateye foram massacrados por não-índios (moradores do Sertão) na aldeia que deu o nome ao massacre, ALDEIA CHINELLA. Naquele momento foi usada a mesma tática de assassinato: deram a cachaça ao índio, embebedaram até crianças e depois levaram os mesmos para o Ribeirão dos Caboclos e mataram a todos com tiros de rifles, nenhum dos acusados da chacina foi preso ou condenado por tal crime.
Segundo a denuncia trazida a nós, aconteceu quase a mesma coisa, mudando apenas uma situação, que no ano de 2010, 97 anos depois do desaparecimento dos Kenkateye como povo autônomo e independente, a morte dos índios não foi física, mas sim social, que em certa situações ainda é pior. Gostaria de informar a FUNAI de tal situação, mesmo que seja apenas uma denuncia, que tal caso venha a ser averiguado pelo setor competente e de autoridade relevante, considerando a atual situação dos índios Canelas Apaniekrá em Barra do Corda, podemos afirmar que medidas de acompanhamento devem ser tomadas o mais rápido possível para que tais indígenas venham a ser colocados em uma situação de segurança.
Ao mesmo tempo que pensamos a respeito de tal assunto, verificamos até onde vai a audácia de indivíduos não-índios frente aos índios, não somente em relação a venda e doação de bebidas alcolicas, mais também de cartões de aposentadorias, auxílios doenças e auxílios maternidades (foi descoberto em Barra do Corda uma índia Canela com mais de 68 anos supostamente dando a luz) para receber o auxilio maternidade, todos esses atos com conivência de Advogados e conhecimentos de membros da sociedade civil, como também de funcionários da FUNAI da cidade de Barra do Corda. Pedimos: Acordem...ajudem a acabar com essa marginalização do saber e do conhecimento frente aos povos indígenas.

2 comentários:

Cleomilton disse...

foi cortado o fornacimento de enegia, a casa do indios canelas hoje por falta de pagamentos 08 11 2010

Anônimo disse...

Relatório das impressões da visita dum turista espanhol na aldeia indígena canela de nome "Porquinhos" Maranhão.

Meu objectivo era de fazer uma visita com um interesse antropológico mas não profissional nem comercial com motivo da "festa da laranja" que celebrou-se passado dia 26 de agosto de 2012 e tirar fotografias para uso particular e privado.

Com esse propósito contactei com sr. Josival no escritorio da FUNAI em Barra do Corda, Maranhão no dia 23.
Com ele estabeleci a contribuição máxima que eu poderia dar ao cacique Paulo seria de ums 25 reais diários, a começar no dia 23 que eu chegaria la no veiculo da aldeia.

Já na sede da FUNAI os indígenas que ficavam la nesse dia pediam-me constantemente dinheiro, eu só dei ao cacique 20 reais nesse momento. Depois passamos por um supermercado onde fizemos compras de comida por valor de 80 reais que eu paguei em sua integridade, eu pensei que era a última oportunidade já que na aldeia não tem mais lojas e pensei que o cacique faria a distribuição mas depois vi como quase todo foi guardado na sua geladeira.

Durante o viagem de seis horas passamos por vários outros lugares onde moravam indígenas canelas e um acampamento de mulheres todos sem excepção pediam-me dinheiro. Na minha chegada eu fui alojado na casa do cacique dormindo na minha rede, e o cacique Paulo saiu de novo para Barra a procurar mais indígenas no carro. Minha visita durou um pouco mais de dois dias, já na quinta feira dia 23 começou meu calvário todo mundo pedia-me dinheiro para fumo, comida ou bebida.
Eu não dei nada a ninguém e contestava que dei o dinheiro para a festa ao cacique, mas o acosso era contínuo por parte dos adultos e não das crianças, e isso apesar das minhas advertências ao "governador" Pedro de que eu iria embora se continuasse.

Eu fui a tomar banho no rio Corda perto da aldeia, e eu vi como uma das crianças queimava a pouca vegetação verde que tinha aos dois lados da trilha. Mais longe, mas ainda perto da aldeia se viam grandes queimadas com fogo, sem que ninguém tomasse conta disso e grandes árvores caiam queimados.

Na aldeia eu vi como cada choça da aldeia estava rodeada de lixo, e vi também que as crianças e os adultos jogavam lixo em qualquer canto.

Na noite do dia 24 chegou o cacique Paulo de volta e pediu-me mais dinheiro para comprar as laranjas da festa, eu dei 20 reais e não quis dar mais, ele pedia-me mais 300, mas pegou os 20 e ficou chateado. Eu então decidi que iria embora e assim falei para ele sem que ele parecesse contrariado.

Essa mesma noite começou um som forte e barulhento de alto-falantes, eu vi como a cachaça circulava livremente. Na manhã do dia 25 varios homes ficavam completamente bêbados, eu vi um deles deitado no chão ao pleno sol. Na tarde eu saí com o carro do relevo da enfermeira e professores em viagem a Barra, um dia antes da "festa da laranja" no dia 26.

Minhas conclusões:
As costumes dos indígenas canelas estão muito longe de ser ancestrais herdadas. A favor disso eu vi como na escola ensinavam a lingua deles, e vi como os canelas mantêm suas festas e artesanato. Mas é só o aspecto folclórico de sua cultura o que parece ter mais interesse de preservar.
E por outro lado vi sua completa dependência económica do governo, políticos candidatos a vereadores e antropólogos, entre outros. Vi a degradação de sua terra e como eles longe de importar-se, contribuem a ela. Vi também a dependência alimentar, já que compravam quase toda a comida que não era a tradicional deles. Vi também a degradação de suas costumes, perdendo a dignidade sendo pessoas quase completamente alienadas com a cachaça e o dinheiro fácil que vem de fora.
Minha conclusão principal é que apesar do crescimento da população e do apoio do governo, talvez precisamente por isso os indígenas são agora muito vulneráveis as mudanças na política de preservação de sua integridade física e suas costumes.

Mario Arias Dietrich
d.n. i.: 05.243.095-s